Volkswagen prepara nova pick-up com parceira chinesa
A próxima geração da Amarok será desenvolvida com a chinesa SAIC e produzida na Argentina a partir de 2027, sem envolvimento da Ford.

A indústria automóvel vive tempos desafiantes, e nem gigantes como a Volkswagen escapam à necessidade de formar novas alianças estratégicas. Após o lançamento da segunda geração da Amarok, um modelo desenvolvido em conjunto com a Ford e baseado na Ranger, a marca alemã prepara-se agora para seguir um novo caminho: a próxima geração da sua pick-up será desenvolvida com o apoio de um parceiro chinês.
De acordo com declarações de Marcellus Puig, CEO da Volkswagen Argentina, à Motor1 Argentina, a nova pick-up será fruto de uma colaboração com o grupo SAIC (Shanghai Automotive Industry Corporation), parceiro de longa data da VW na China. O projeto prevê um investimento de 580 milhões de dólares, destinado à produção do modelo na fábrica de General Pacheco, Argentina, a partir de 2027.
Até lá, a atual Amarok de primeira geração, que ainda é comercializada em mercados como o sul-americano, continuará em produção, atingindo os 17 anos de vida. Ainda não está claro se o modelo original será descontinuado com a chegada da nova pick-up, mas tudo indica que poderá continuar em paralelo.
A nova pick-up sul-americana da Volkswagen poderá partilhar a sua base com a Maxus Interstellar X, um modelo chinês que se destaca por abandonar a tradicional estrutura de longarinas em favor de uma carroçaria monobloco. Este veículo é vendido na China com motorizações diesel de 2.5 litros e também numa versão 100% elétrica com dois motores. Curiosamente, a versão elétrica inclui até um “frunk” — compartimento dianteiro de bagagem, onde normalmente estaria o motor de combustão.
Ainda é incerto se o conhecido motor V6 diesel da Volkswagen poderá ser adaptado a esta nova plataforma, caso se mantenham versões a combustão. A colaboração com a SAIC, no entanto, permitirá reduzir custos, aproveitando cerca de 50% da linha de produção já existente do Volkswagen Taos, apesar de se tratar de dois modelos tecnicamente distintos.
Esta não será a única pick-up da Volkswagen com ADN chinês no futuro, numa altura em que outras marcas seguem a mesma tendência. A RAM, por exemplo, prepara o modelo 1200, fortemente baseado no Changan Kaicene F70, outro produto com origem no mercado chinês.
Apesar destas novidades para o mercado sul-americano, é improvável que estas pick-ups venham a ser comercializadas nos Estados Unidos, devido às tarifas recentemente impostas e à histórica "Chicken Tax" de 25% sobre camiões leves importados.
A nova fase da Amarok marca uma mudança significativa de estratégia para a Volkswagen , que abandona a parceria com a Ford e aposta numa colaboração sino-germânica para manter a competitividade num segmento cada vez mais exigente.




