Nissan aposta em IA, eletrificação e novo Skyline na estratégia global até 2030
A Nissan apresentou uma nova estratégia global de longo prazo sob a visão “Mobility Intelligence for Everyday Life”, que coloca a inteligência artificial e a eletrificação no centro da evolução da marca. O objetivo é tornar a mobilidade mais inteligente, segura e integrada no quotidiano, ao mesmo tempo que a empresa simplifica operações, acelera o desenvolvimento de produtos e reforça a competitividade global. Em paralelo, o plano Re:Nissan continua a ser executado com bons resultados, melhorando a estrutura de custos, a eficiência industrial e a renovação da gama, preparando a marca para uma nova fase de crescimento. A estratégia assenta em quatro pilares fundamentais: tecnologias de próxima geração (IA e eletrificação), simplificação do portefólio de produtos, reorganização industrial baseada em famílias de veículos e uma abordagem global focada nos mercados-chave (Japão, EUA e China). No conjunto, estas mudanças visam transformar a Nissan numa empresa mais ágil, eficiente e tecnologicamente avançada até 2030.

A Nissan está a apostar fortemente na integração da inteligência artificial em todos os sistemas do veículo, incluindo condução, segurança e assistência ao condutor. A tecnologia Nissan AI Drive será progressivamente alargada a cerca de 90% da gama, enquanto sistemas avançados como o ProPILOT evoluirão para níveis superiores de condução autónoma, com destaque para o novo Nissan Elgrand previsto para 2026 e melhorias até 2027. Em paralelo, a marca introduz o conceito Nissan AI Partner, que pretende tornar o veículo mais inteligente e próximo do utilizador, integrando-se nas suas rotinas diárias e oferecendo uma experiência mais intuitiva a bordo.
A transição tecnológica é suportada por uma forte aposta na eletrificação, com destaque para o sistema e-POWER, que utiliza motores elétricos para a tração sem necessidade de carregamento externo, funcionando como uma solução intermédia entre híbridos e veículos totalmente elétricos. Para além disso, a Nissan irá expandir o seu portefólio de motorizações eletrificadas, incluindo novos sistemas híbridos (HEV) para veículos de chassis de longarinas, mais robustos e orientados para utilização intensiva; soluções híbridas plug-in (PHEV); e tecnologias com extensor de autonomia desenvolvidas em parceria. Esta diversificação permite à marca adaptar-se a diferentes mercados e perfis de clientes, mantendo flexibilidade tecnológica numa fase de transição energética global.
Produtos: simplificação e reorganização do portefólio
Um dos eixos centrais da estratégia é a redução e reorganização da gama global de 56 para 45 modelos, eliminando veículos de baixo desempenho e concentrando o investimento em segmentos mais rentáveis e com maior potencial de crescimento. Ao mesmo tempo, cada modelo passará a ter mais opções de motorização, aumentando o volume por plataforma e reforçando a eficiência industrial.
Os modelos passam a ser organizados em quatro categorias estratégicas:
- Heartbeat: modelos que representam a identidade emocional da marca, o design e a inovação tecnológica;
- Core: modelos de grande volume que sustentam a rentabilidade global;
- Growth: veículos focados em mercados emergentes ou segmentos em expansão;
- Partner : modelos desenvolvidos em colaboração com parceiros para alargar cobertura de mercado de forma eficiente.
Esta estrutura permite à Nissan reduzir complexidade, acelerar o desenvolvimento e aumentar a rentabilidade por modelo, ao mesmo tempo que mantém presença global equilibrada.
“Este é o momento de definir a visão de longo prazo da Nissan, centrada na experiência do cliente, apostando na inteligência de mobilidade para oferecer produtos mais seguros, intuitivos, acessíveis e com melhor valor global.” -, afirma Ivan Espinosa
A nova estratégia de produto da Nissan também se reflete na renovação da gama global. Entre os modelos destacados está o X-Trail e Rogue Hybrid e-POWER, que representam a linha Core global com uma condução elétrica sem necessidade de carregamento e maior eficiência energética.
O Juke EV, direcionado ao mercado europeu, reforça a aposta na eletrificação total, combinando design mais arrojado com tecnologia inteligente.
Já o Xterra, no mercado norte-americano, regressa como modelo Heartbeat com um posicionamento mais aventureiro e robusto, baseado em chassis de longarinas, orientado para utilização fora de estrada e maior resistência estrutural.
No Japão, o Skyline mantém-se como modelo emocional da marca, focado em desempenho e experiência de condução mais envolvente. O ícone da marca japonesa poderá estar de regresso com as famosa óticas circulares na traseira, equipado com o motor 3.0 V6 biturbo, mas também com motorizações eletrificadas.
No segmento premium, a INFINITI continuará a desempenhar um papel estratégico na estrutura da Nissan , sendo revitalizada com novos modelos. O plano inclui o lançamento do SUV QX65 em 2027, seguido de outros quatro modelos, incluindo SUVs híbridos, veículos de chassis de longarinas e uma berlina V6 de elevada performance.
Modelo industrial e estratégia global
A Nissan está também a reformular profundamente o seu modelo industrial, passando de uma abordagem centrada em modelos individuais para uma estratégia baseada em plataformas e famílias de veículos partilhadas. Esta nova organização permitirá que mais de 80% do volume global esteja concentrado em apenas três famílias de produtos, aumentando a escala e reduzindo custos. Ao alinhar desenvolvimento, produção e software desde o início, a marca espera acelerar o lançamento de novos veículos e melhorar a qualidade e consistência global.
Em termos de mercado, a Nissan redefine o papel dos seus três pilares principais:
- Japão: centro de inovação e testes tecnológicos;
- Estados Unidos: foco em SUVs, produção local e regresso ao volume de 1 milhão de unidades;
- China: centro de desenvolvimento rápido, exportação e veículos elétricos.
- Outros mercados como México, Médio Oriente, Europa, Índia e África continuam a desempenhar papéis complementares, ajudando a equilibrar crescimento, produção e exportação.
No conjunto, a Nissan pretende tornar-se mais eficiente, digital e eletrificada, reforçando a sua posição global até ao final da década.







