Elétricos usados já são os que vendem mais rápido e marcas chinesas dominam em Portugal
O aumento global do custo dos combustíveis tradicionais devido à instabilidade geopolítica fez disparar a rotação de stock de veículos elétricos usados (BEV), tornando-os nos automóveis de venda mais rápida no mercado, embora o setor enfrente assimetrias regionais.

O mercado europeu de automóveis usados parece ter abandonado o prolongado "modo de crise", registando agora uma desaceleração nas violentas correções de valores e movimentos de preços menos abruptos. Contudo, de acordo com o mais recente relatório Market Watch da Indicata (Edição 75, maio de 2026), o setor encontra-se exposto a uma nova dinâmica: a forte dependência de choques macroeconómicos externos e da instabilidade geopolítica mundial.
O principal motor de mudança no último mês prende-se com o escalar das tensões em torno do Irão, no Médio Oriente. O consequente aumento e volatilidade nos preços dos combustíveis fósseis (gasolina e diesel) acabou por impulsionar, por via estritamente financeira e pragmática, o apelo económico dos Veículos Elétricos a Bateria (BEV) em segunda mão. Famílias e condutores voltaram a olhar para os elétricos usados como uma ferramenta de proteção do seu orçamento de mobilidade diária.
O sinal mais expressivo desta conjuntura reflete-se no indicador Market Days Supply (MDS), que mede os dias de stock necessários para escoar um veículo. Os elétricos a bateria deixaram de ser os ativos mais lentos e registam agora a rotação mais rápida entre os principais tipos de combustível na Europa. No topo dos elétricos usados com saída mais célere a nível europeu encontram-se modelos como o Tesla Model 3 (MDS de 19,5 dias) e o chinês MG 5 (MDS de 20,3 dias). Esta ascensão de marcas oriundas da China começa, inclusive, a redefinir os limiares de preços e a exercer forte pressão competitiva sobre os construtores tradicionais do Velho Continente.
Em contrapartida, os veículos a combustão interna (ICE) continuam a assegurar a espinha dorsal do retalho pela sua utilização universal, mas começam a perder alguma fluidez comercial à medida que abastecer se torna mais dispendioso. Já os híbridos convencionais (HEV) afirmam-se como o compromisso mais estável e seguro no que toca à manutenção dos valores residuais.
A realidade do mercado em Portugal
No plano nacional, o panorama dos veículos com menos de quatro anos mantém particularidades muito próprias. Em termos de volume total de vendas de usados, o mercado português continua a preferir o segmento de utilitários e pequenos SUV com motorizações tradicionais: os Peugeot 2008 (MDS de 62,0 dias), Peugeot 208 (MDS de 64,2 dias) e Citroën C3 (MDS de 54,8 dias) mantêm-se como os modelos mais vendidos.
No entanto, quando analisada estritamente a velocidade de rotação (Venda Mais Rápida), a tendência europeia confirma-se em território nacional através do forte dinamismo das novas marcas asiáticas no segmento de elétricos e eletrificados. O modelo que passa menos tempo nos parques de retalho em Portugal é o elétrico MG 4, com uma rotação de stock correspondente a um MDS de apenas 29,3 dias. Logo atrás seguem-se o BYD Atto 3 (MDS de 31,3 dias) e o Kia Niro (MDS de 31,4 dias). Em termos globais de preços, Portugal apresenta uma evolução bastante estável no Índice de Preços de Retalho, registando uma variação contida de 1,4 pontos percentuais face à base de referência pré-pandémica (janeiro de 2020).
Apesar do forte fôlego comercial que os veículos elétricos registam este mês, a Indicata alerta que o mercado não deve confundir este cenário de curto prazo com uma recuperação estrutural contínua, uma vez que a estabilização dos valores dos BEV permanece fortemente dependente de incentivos fiscais locais e de políticas comerciais nacionais.








