Stellantis volta a parar fábrica do Fiat 500 por falta de componentes
A fábrica da Stellantis em Mirafiori, Turim, vai voltar a interromper a produção do Fiat 500 híbrido. A suspensão está marcada para os dias 2, 3 e 4 de setembro, depois de a unidade ter retomado recentemente a atividade após uma paragem de quatro semanas durante o verão.

Segundo a Stellantis, a procura por veículos híbridos está acima da capacidade de produção atualmente disponível, criando um problema na cadeia de fornecimento que acaba por afetar diretamente as linhas de montagem de Mirafiori. A situação coloca novamente uma das principais fábricas italianas da Stellantis perante uma paragem de produção, numa altura em que o grupo está a tentar aumentar os volumes do Fiat 500 híbrido.
A falta de componentes trava produção
A explicação apresentada pela Stellantis aponta para a fábrica da Teksid em Carmagnola, também no Piemonte. Esta unidade produz componentes utilizados nos motores destinados à produção de Mirafiori, mas a sua capacidade atual não será suficiente para acompanhar o número de encomendas de modelos híbridos. A Stellantis afirma estar a trabalhar para aumentar a produção de motores e ajustá-la à procura. Na prática, o problema acontece antes de os veículos chegarem à linha de montagem. Mesmo existindo procura pelos carros, a falta de determinados componentes impede a fábrica de manter a produção prevista. A suspensão desta semana deverá durar três dias, entre quarta-feira e sexta-feira.
A nova paragem acontece pouco depois de Mirafiori ter retomado a atividade após quatro semanas de interrupção durante o verão. A fábrica tinha voltado a produzir no final de agosto, mas a retoma será novamente interrompida esta semana. A sucessão de paragens aumenta a pressão sobre a unidade italiana, que tem enfrentado dificuldades para manter níveis de produção elevados. Esta não é, aliás, a primeira interrupção relacionada com problemas na cadeia de abastecimento. No final de junho, a Stellantis já tinha anunciado uma paragem adicional durante o verão devido a dificuldades no fornecimento de componentes, incluindo peças para motores, para-choques e sensores.
A versão da empresa, no entanto, não é aceite por todos. A FIOM, sindicato italiano ligado ao setor metalúrgico, apresenta uma explicação diferente para a nova paragem. Segundo a organização, o problema poderá estar relacionado com vendas insuficientes do Fiat 500, e não com uma procura superior à capacidade de produção de componentes. O sindicato questiona assim a justificação apresentada pela Stellantis e considera que as sucessivas interrupções são um sinal de que a procura pelo modelo poderá não estar a corresponder às expectativas da empresa.
A diferença entre as duas versões é significativa. Enquanto a Stellantis afirma que está a lidar com uma procura de híbridos superior à capacidade disponível na produção de motores, a FIOM considera que a origem das paragens estará na evolução das vendas do próprio Fiat 500 .
A Stellantis tinha indicado anteriormente que pretendia produzir cerca de 100 mil unidades do Fiat 500 em 2026, considerando as versões híbrida e elétrica. No primeiro trimestre, tinham sido produzidas cerca de 15 mil unidades, segundo dados divulgados pela empresa. A capacidade de Mirafiori para acompanhar a procura pelo novo modelo tornou-se, por isso, uma questão relevante para a estratégia industrial da Stellantis em Itália.
Uma paragem que expõe a transição para os híbridos
O caso de Mirafiori também mostra uma das dificuldades da atual transformação da indústria automóvel. A procura por veículos eletrificados está a obrigar os fabricantes a adaptar fábricas, fornecedores e cadeias logísticas. Neste caso, a Stellantis diz que a capacidade de produção de componentes para os motores híbridos não está a acompanhar a procura. Ao mesmo tempo, a existência de sucessivas paragens levanta dúvidas sobre o equilíbrio entre a capacidade industrial instalada e a procura real pelos modelos produzidos.
Por agora, a produção do Fiat 500 em Mirafiori ficará suspensa durante três dias. A Stellantis terá de aumentar a disponibilidade de componentes se quiser evitar novas interrupções e manter o ritmo de produção previsto para o modelo.
A fábrica italiana deverá retomar a atividade depois do período de suspensão, mas o novo episódio mostra que a produção do Fiat 500 híbrido continua dependente de uma cadeia de fornecimento que ainda está a ser ajustada às novas necessidades do mercado.








