Diário - Ênah Pá por Marrocos | O início da história
No momento em que lemos a palavra Marrocos, suscita-nos uma atração em ir… Seja a vontade de alinhar pela primeira vez, seja a inevitável vontade de voltar, os amantes de TT vivem a experiência desta viagem com base na paixão de conduzir uma máquina 4X4.

Escrevo este texto antes de começar uma nova jornada, uma viagem em Marrocos que durará 10 dias. Estarei na condução de uma caravana a bordo do meu actual “jipe”, mas desta feita, quero que seja uma história que contarei aqui no Guia do Automóvel. Enquanto não se ligam os motores, considero importante conhecerem um pouco mais sobre mim, o projeto Ênah Pá e o que me leva a dividir a arquitectura com a paixão pelas viagens em Todo-o-Terreno.
Quando começou? Quais foram os momentos decisores? Que máquinas alimentaram este gosto? Quem esteve lá na aprendizagem? Que experiências vivi, quais ainda quero viver?
Anos 80. O pequeno Land Rover Defender vermelho a pilhas com rodas grandes, vidros fumados, carregado de caixas e adereços como os dos filmes e patins rebatíveis que me convidavam a acreditar que nele entrava, proporcionava-me imensas viagens da imaginação de criança que era…sou.
Foram precisos demasiados anos até ser novamente despertada esta vontade de viajar pela imaginação que a natureza nos transmite nos seus trilhos. Quis o destino, que a Sandra (minha companheira de toda a vida), fosse convidada para um “raid” todo-o-terreno. Ela e a amiga Ana, num Opel Frontera (2.8 TD), serviam de apoio ao pai da Ana, que seguia na sua mota. Chegada a casa com uma satisfação que também eu queria ter, cedo se começou a desenhar o desejo de ter um 4X4.
Em 1998, o pequeno Corsa (1.5 TD Sport), sujeito ao tratamento de um jovem, que sobreviveu aos primeiros anos de carta de condução, cedeu, abrindo as portas à procura de um “Jipe”.
Era o tempo das pick-up, a Nissan Pick-up Forest D21 era um sonho, uma peça de linhas simples mas que me fazia sempre virar o olhar, mas, de um preço e imagem incompatível com os desígnios do “Paitrocinio”.
Resignado e sem queixas, aproveitei o que estava ao alcance, o Galloper Exceed 2.5 TD (um Mitsubishi Pajero, produzido pela Hyundai nos seus inícios pela Europa), que me deixou rasgados sorrisos, quando demonstrava as suas boas aptidões TT no grupo dos “bravos”, com quem “rolava” na altura. Seguiram-se tempos de altos consumos de combustível, com um 4X4 a fazer cerca de 150 km´s diários, rapidamente adquirimos uma viatura comercial (primeiro carro da Sandra) que eu usei nas minhas viagens, enquanto ela se adaptava à condução urbana, num 7 lugares, de dimensões pouco ajustadas à bela cidade do Porto.
Em 2000, mudança de milénio, mudança de cidade, mudança da vida e dos paradigmas da juventude vivida e, claro, mudança de viatura, agora a prioridade era a casa, que deveria ser o nosso lar, por isso, ficam apenas utilitários da Renault (Clio 1.9 D e Megane 1.5 dCi).
Já em 2003, faltavam os momentos de escape, a vida seguia uma “rotina”, até que, eis que surge uma capota rosa num pequeno japonês, num stand de rua, de um daqueles “bravos” do grupo. Passei umas boas horas em volta do pequeno Suzuki Samurai 1300, conseguia sempre arranjar desculpa para passar próximo do stand e namorar um pouco mais a máquina. Fiz a proposta de compra e logo a seguir estava a começar o meu primeiro “projeto” TT.
Conseguia ver os pneus da frente pelos buracos das cavas das rodas, o rádio quase não era capaz de se fazer ouvir com o belo som do 1.300 a gasolina, ou seria pelas fracas colunas de som, pouco interessava, estava de volta aos montes e trilhos aos corta-fogo, subidas e descidas de cortar a respiração, lama e dificuldades que levavam as máquinas ao seu máximo. Só boas experiências, sempre em respeito pela natureza.
Mais tarde, em 2004, o pequeno Suzuki merecia um bom trato, o seu destino passou pelo amigo Cristiano. Foram noites seguidas em reparação, chaparia toda refeita ao detalhe, seguida de pintura em preto mate de alto contraste com a referida capota. Com uns toques de mecânica do Peixoto e estava pronto para uma nova fase, agora o “stôr” Francisco era o mais cool do parque de estacionamento da escola no seu cabrio 4X4.
Não ia durar… os amigos passam a palavra e logo apareceu um comprador, chegado em boa altura, porque havia um próximo "projeto", um Toyota Land Cruiser 70 VX 3000, aconselhado por outro amigo, que além de um 70, tinha também um HDJ 100 (mas estes ficam para outra história).
Estava em excelente estado, o Sr. Victor recuperava carros Toyota como poucos, parecia que estava a comprar um carro novo. Que máquina, palavras nunca farão jus ao que senti por ser proprietário desta maravilha japonesa.
2006, surgiu o convite,…








